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Ruínas jesuítas paraguaias: visitando La Santísima Trinidad del Paraná e Jesús de Tavarangüe

Atualizado: Mar 21


Ruínas da Igreja de Jesús de Tavarangüe

No dia seguinte à nossa passagem por San Ignácio, seguimos viagem para Posadas, capital da província de Misiones, na Argentina e cidade que usaríamos como base para visitar as ruínas jesuítas paraguaias La Santísima Trinidad e Jesús de Tavarangüé.


1. O trajeto: Posadas fica a cerca de 40 km de San Ignácio, seguindo pela Ruta Nacional 12. Porém, o trecho estava em obras e demoramos cerca de 1 hora para percorrer essa distância. Passamos por mais um pedágio (tarifa: 70 pesos – valor de outubro/2019).

Trechos em obras na Ruta Nacional 12 entre San Ignácio e Posadas


À semelhança de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, Encarnación/PY e Posadas/AR são separadas pelo Rio Paraná e interligadas por uma ponte (que, ao contrário da Ponte da Amizade, só permite a circulação de veículos e motos). Também existe um trem que transporta passageiros entre as duas cidades de segunda a sexta-feira.


2. Hospedagem: Posadas oferece opções bastante confortáveis de hospedagem, mas acabamos optando pelo Avemar Apart Hotel pelo conjunto custo-benefício + localização. A diária do quarto triplo, sem café-da-manhã, saiu R$ 228,00. O quarto possui uma pequena cozinha com microondas, frigobar, pia e utensílios para refeições.

Nosso apart - e a cestinha de cortesia, com leite e café em pó, biscoitos e chá.



3. Como chegar às ruínas: optamos por um jeito de "Nutella" de conhecer as ruínas e contratamos um transfer particular.


Inicialmente, o plano era seguir as dicas do Viaje na Viagem, ou seja: pega um ônibus circular de Posadas para Encarnación e depois contratar um táxi para nos levar até as ruínas. Porém, a recepcionista do Avemar nos alertou que aquele dia (12/10) era feriado e que a ponte provavelmente estaria com uma fila de muitas horas para atravessar (pelo menos umas 2 horas).

Ponte Internacional San Roque González e imigração paraguaia.


Assim, ficamos com receio de atrasar muito fazendo o percurso de transporte público e não conseguir visitar as ruínas. Pedimos, então, recomendações de agências de turismo que pudessem fazer o passeio e ela explicou que, em razão da baixa procura, eles não mantinham parceria com nenhuma empresa, mas tinham o contato de um transfer particular – o Davi (Whatts App: +54 9 376 464-9744). Pedimos uma cotação e o passeio ficou orçado em R$600,00 (ou cerca de AR$ 8.000,00) para nos buscarem no hotel, levar nas duas ruínas e retornar.


Considerando o conforto e a praticidade, resolvemos encarar, mesmo achando o preço um tanto quanto salgado. Combinamos o transfer para as 13h, pois assim teríamos tempo de fazer o câmbio e almoçar.

Depois de já ter feito as reservas dos hotéis, descobrimos que a empresa Tierra Colorada Turismo faz o passeio a La Santísima Trinidad e Jesús de Tavarangue a partir de San Ignácio, atravessando o rio Paraná de barco. A agência oferece também outras excursões que parecem bem interessantes – a que mais me chamou a atenção foram os Saltos de Moconá.

4. Câmbio: a bilheteria das ruínas aceita apenas pagamento em guaranis. É possível fazer o câmbio ainda em Foz do Iguaçu, em Posadas ou logo após atravessar a fronteira. No nosso caso, a ideia era levar dólares e trocar por guaranis em Encarnación/PY, pois a moeda americana costuma ter uma cotação mais favorável. O problema é que só tínhamos uma nota de 50 dólares, e queríamos trocar (no máximo) 30 dólares, sendo que o “troco” voltaria em guaranis. Assim, acabamos convertendo reais por guaranis (na cotação que pegamos, R$100 foram mais do que suficientes para 3 ingressos das ruínas, águas e refrigerantes que tomamos pelo caminho).


A forma de fazer câmbio parece bem estranha, mas o pessoal agia como se fosse a coisa mais natural do mundo (rsrsrs!): várias pessoas com coletinhos e pochetes ficam logo na saída da imigração paraguaia. Você pergunta a cotação, passa o dinheiro e recebe a moeda estrangeira de volta – bem assim, a céu aberto. Ficamos meio assustados, mas como o Davi (nosso transfer) também fez o câmbio na maior tranquilidade, confiamos e trocamos nossas moedas - e não tivemos nenhum problema com as notas recebidas.



5. As ruínas: As ruínas jesuítas são o único Patrimônio Cultural da Humanidade do Paraguai e ganharam esse título em 1993.

O ingresso que, à semelhança de San Ignácio Mini, permite o acesso a várias ruínas com o mesmo bilhete.

O ingresso custou 25.000 guaranis (com tours guiados inclusos no valor) e também dá direito a visitar, além desses dois sítios, as ruínas de San Cosme y Damián.


La Santísima Trinidad del Paraná. Horário de funcionamento (informações de outubro/2019): das 07h às 22h no verão e das 07h às 21h no inverno. Percurso cultural com som e luzes: de quinta a domingo, às 20h30 no verão e às 19h30 no inverno.


A cerca de 28km de Encarnación, no departamento de Itapúa, La Santísima Trinidad del Paraná fornece uma visão bem clara de como se organizavam as missões jesuítas. Fundada por volta de 1706, foi um dos últimos aldeamentos estabelecidos pelos padres jesuítas e o maior em território paraguaio (em seu auge, reuniu cerca de 3.000 moradores).


A visita começa com um breve filme sobre o local e é seguida do tour guiado.


Na Igreja - projetada pelo italiano Juan Bautista Primoli - chamam atenção o domo de pedra, o púlpito e a pia batismal. Vale uma paradinha para admirar também a fachada de anjos. Na antiga sacristia da Igreja está um museu com esculturas e explicações bem interessantes sobre a redução.

Ruínas da Iglesia Mayor; púlpito; estátua; pia batismal e arcadas.


Museu instalado na antiga sacristia


Jesús de Tavarangue. Horário de funcionamento (informações de outubro/2019): das 07 às 18h no inverno e das 07h às 19h no verão. Projeção "Aventura Jesuíta Universal": de quarta a domingo, às 18h30 no inverno e às 19h30 no verão.



A 10 km de distância de Trinidad estão as ruínas de Jesús de Tavarangüe. A missão foi fundada em 1685, mas precisou deslocar-se em razão de ataques e perseguições, chegando ao local atual em 1708, onde acabou sendo abandonada ainda em construção. A Igreja foi projetada pelo espanhol Antonio Forcada – o que talvez justifique a influência muçulmana presente em seus arcos. Na parte da frente da Igreja, no alto (à direita), é possível ver inscrições de dominicanos e franciscanos – duas ordens religiosas que tentaram (sem êxito) suceder os jesuítas na catequização dos indígenas.

Ruínas da Igreja de Jesús de Tavarangüe


Confirmando os relatos que havíamos lido na Internet, a visita às ruínas paraguaias é, de fato, bem mais tranquila. Isso, somada às diferenças de porte, construção e grau de preservação proporcionam uma experiência diferente e complementar à visita à San Ignácio.


Detalhe: a infraestrutura turística das ruínas é bem simples. Em nenhuma delas nós vimos, por exemplo, lanchonetes (por sorte, havíamos passado por um mercado antes e comprado bebidas). Por isso, a dica é levar pelo menos uma garrafa de água (por garantia) e lanchinhos, caso faça uma vista mais demorada.


Dica: visitamos as ruínas no período da tarde (entre 14h e 17h) e estava muito, MUITO calor (algo em torno de 37º C). Por isso, não descuide de protetor solar, boné/chapéu e hidratação. Óculos escuro também ajuda bastante. Não tivemos problemas com mosquitos (até porque o tempo estava seco), mas, na dúvida, leve repelente!


6. A cidade de Posadas: voltamos a Posadas já no final do dia e, ao contrário do esperado, a passagem pela Ponte foi bastante rápida e tranquila. Segundo o Davi, o motivo era a realização da “Estudiantina”, um evento que reúne alunos de dezenas de escolas de Posadas, com música, dança e apresentações culturais. A “Estudiantina” ocorre na Avenida Costanera, começa no final da tarde vai até a madrugada. Assim, muitos jovens (e suas famílias), apesar do feriado, optam por ficar em Posadas – ao invés de passar o dia em Encarnación.


De noite, fomos jantar no La Ruedita (Calle Alfonso de Arrechea, 835 esquina com Avenida Costanera). Pedimos uma tira de bife dos deuses: carne extremamente macia e suculenta (parecia que ia derreter na boca). A carne + acompanhamento de mandioca frita e salada + refrigerantes saiu por 1.250 pesos (ou, cerca de R$100) PARA OS TRÊS. Considerando a qualidade da comida e o conforto do lugar, achamos que super valeu a pena!


Para sobremesa, passamos na Gelateria Cremolatti, que vende sorvetes deliciosos (de qualidade e com sabores bem variados), além de taças e bombons gelados.

Restaurantes na Costanera e (o maravilhoso) Cremolatti


Aliás, se tivesse mais tempo, com certeza passaria pelo menos mais um dia explorando Posadas, pois, nessa rápida passagem, a cidade me pareceu bem bacana. A Costanera em si já é um atrativo: parece uma avenida beira-mar, com o rio Paraná, calçadão para pedestres e ciclovia de um lado e, do outro, vários restaurantes e barzinhos bem animados. Talvez porque no dia fosse feriado e estivesse MUITO quente, havia várias pessoas na Costanera, caminhando com seus cachorros, sentadas tomando mate e batendo papo ou passeando com suas famílias.


E assim, terminamos nossa rápida aventura pelas missões jesuítas. Foi um passeio diferente, lindo e enriquecedor!


Se você estiver buscando uma viagem de férias de uma semana, barata e bem variada, recomendo fortemente esse combo Foz do Iguaçu + missões jesuítas, pois ele mescla natureza (as Cataratas), atrativos família (como o Parque das Aves e o Ice Bar) e culturais (visita à Mesquita e às missões). De quebra, você passa por 3 países em 3 dias (Brasil, Argentina e Paraguai), o que dá aquele gostinho delicioso de aventura. Se quiser, ainda rolam compras no Paraguai (Ciudad del Este) e no Duty Free argentino (que passamos na volta de Posadas para Foz, mas, sinceramente, achei bem fraquinho e caro).


E você? Já visitou missões jesuítas? Conhece Misiones? Compartilhe com a gente nos comentários!


Até a próxima!

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