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PERITO MORENO: EXPERIÊNCIA GELADA NA PATAGÔNIA ARGENTINA

Atualizado: 12 de Out de 2019

Em fevereiro do ano passado (2018), eu e uma amiga decidimos abandonar as festas carnavalescas e usar o feriado para visitar a famosa região da Patagônia Argentina.


Como tínhamos apenas o período da folia, optamos por "fazer base" na cidade argentina de El Calafate, onde poderíamos fazer alguns bate-voltas (El Chaltén e Torres del Paine) e conhecer um pouco a região (Lago Argentino, Estância Cristina, Perito Moreno e Cerro Frías). Voamos com a Aerolineas Argentinas, com conexão em Buenos Aires.


Quem já foi à El Calafate ou já pesquisou um pouco a respeito sabe que um dos maiores atrativos da região é o Glaciar Perito Moreno, nosso foco no post de hoje.

Criança feliz no Perito Moreno

1. LOCALIZAÇÃO

O Perito Moreno fica no Parque Nacional Los Glaciares, a cerca de 80 km de El Calafate. A taxa de entrada, em fevereiro/2018, era de 500 pesos. Essa taxa é paga a parte, no momento em que se chega ao Parque; não está inclusa no passeio que você vai comprar na agência, então tenha a quantia em mãos.


2. TIPOS DE PASSEIO

Existem, basicamente, três tipos de passeio para conhecer a geleira: passarelas de observação, Minitrekking e Big Ice.


A) PASSARELAS

A visita às passarelas está incluída nos trekkings, mas achei importante ressaltar que, se você se contentar em ver a geleira à distância, não precisa fazer trilha. Nesse caso, você só precisa pagar o ingresso do Parque e transporte, se não estiver de carro.

Passarelas que dão vista ao glaciar

B) MINITREKKING

O Minitrekking pode ser feito por pessoas de 10 a 65 anos. Não podem realizá-lo pessoas com excesso de peso, mulheres grávidas, deficientes físicos ou mentais, pessoas com doenças cardiovasculares e doenças respiratórias. Atualmente (2019), ele está acontecendo de julho a maio. A caminhada NO GELO é de 1 hora e 30 minutos. O grau de dificuldade é moderado. A duração total do passeio é de aproximadamente 10 horas. Pelo que pude perceber de relatos e do que observei lá, se o seu objetivo é FOTOGRAFAR, faça o Minitrekking.


C) BIG ICE

O Big Ice é o passeio mais famoso, pelo menos o que chama mais atenção (por apreensão ou por animação). O grau de dificuldade aqui já é alto. Podem realizá-lo pessoas com idade entre 18 e 50 anos. As mesmas restrições de saúde do Minitrekking são aplicadas. Atualmente, ele acontece de setembro a abril. O tempo de caminhada NO GELO é de 3 horas e 30 minutos. A duração total do passeio é de cerca de 12 horas.

Imensidão gelada que o Big Ice te proporciona

3. QUANDO E ONDE COMPRAR

Apesar de existirem inúmeras agências de turismo na cidade oferecendo os passeios para o Perito Moreno, apenas uma delas está credenciada oficialmente para realizá-lo: a Hielo & Aventura. Isso significa que as demais agências vendem o passeio, mas você o fará, de qualquer modo, com a H&A. Dá para comprar diretamente com a Hielo & Aventura on line, antes de zarpar do Brasil, ou comprar lá na cidade com ela ou outra agência; os valores são praticamente os mesmos.


99,9% dos blogs vão recomendar que você compre os passeios com muitíssima antecedência, porque as vagas são limitadas e você pode ficar sem. Isso é verdade? Pela minha experiência, em termos...


O trekking mais longo só acontece na alta temporada (verão), você não consegue escapar do fluxo de pessoas. Isso acontece por conta do clima: no inverno fica muito frio, o que torna inviável essa e outras excursões.


Se você fizer um roteiro muito apertado e só puder ir em um dia específico fazer o BIG ICE (não posso afirmar sobre as demais modalidades, porque acho que a procura varia de passeio para passeio), eu recomendo que você compre com antecedência pelo site, sim.


Nós não compramos antecipadamente, mas queríamos que a visita ao Perito Moreno fosse o primeiro "rolê", porque, logicamente, era nossa prioridade, o passeio que não podia faltar em hipótese alguma! Chegamos lá e não tinha para o dia seguinte. Então, esgota, sim (comprar no dia é impossível. O passeio sai bem cedo). Mas para todos os outros dias da nossa estadia, tinha vaga. Nós organizamos os passeios e encaixamos a geleira na ordem que nos foi mais conveniente.


No nosso caso, foi bom ter comprado lá. Primeiro, porque o passeio é bem cansativo, então foi legal não o termos feito imediatamente à chegada em El Calafate (estávamos bem cansadas da viagem). Segundo, porque pudemos montar a melhor logística para ordenar os passeios de acordo com a data de disponibilidade de cada um. Nós tínhamos outras trilhas para fazer em El Chaltén e conseguimos separá-las do Big Ice, de modo que esses dois passeios não ficassem um seguido do outro. Se nós tivéssemos "engessado" o Big Ice, TALVEZ isso não tivesse sido possível.


O que eu quero dizer com tudo isso é que não tem porque se desesperar, a menos que você só tenha um dia para fazer o trekking. Nesse caso, já vi pessoas indo para El Calafate e ficando sem visitar o Perito Moreno. E isso é uma lástima, se você vai para lá com esse fim em mente!


4. VALOR

Atualmente, o Minitrekking está saindo por 6.500 pesos argentinos (cerca de 117 dólares ou 477 reais), enquanto o Big Ice está saindo pelo valor de 11.500 pesos argentinos (cerca de 190 dólares ou 800 reais). Nada barato... Mas a experiência vale cada centavo!


5. MINHA EXPERIÊNCIA NO BIG ICE

Nós não compramos o ingresso diretamente com a Hielo & Aventura. Fechamos em uma das agências na rua principal de El Calafate (Avenida del Libertador). Fizemos um "bem bolado" de todos os passeio que queríamos comprar em agência (à exceção da Estancia Cristina), com transfer incluso, e pagamos tudo em dólar. O troco veio em pesos argentinos que usamos basicamente para alimentação e souvenir. Achei uma boa estratégia.


No dia combinado, uma van veio nos buscar no hotel bem cedo. O horário marcado era entre 7h00 e 7h30 da manhã. Essa van nos levou até o ônibus que partiria para o Parque. De El Calafate até a entrada do Parque Nacional Los Glaciares são cerca de 40 minutos. Vai um guia no transporte dando algumas informações preliminares em espanhol e inglês. Chegando lá, os funcionários do Parque adentram o ônibus, recolhem a taxa de entrada e te dão o ingresso.


Houve uma parada para ir ao banheiro e seguimos para as passarelas para ter uma visão panorâmica do Perito Moreno. Você tem aproximadamente 30 minutos livres para explorar as passarelas e admirar o glaciar. Como chegamos cedo, estava bem vazio, foi tempo mais do que suficiente: vimos a geleira, tiramos fotos e ainda conseguimos ir ao banheiro da lanchonete antes de partir. Nós não chegamos a ver nenhum bloco de gelo se rompendo, mas ouvimos. É um baita estrondo!!!

Primeira parada: passarelas de observação do Parque Nacional Los Glaciares

De lá seguimos para o Porto Bajo las Sombras, que fica há aproximadamente 7 km da geleira. Embarcamos em uma espécie de catamarã e navegamos por cerca de 20 minutos até chegar ao "pé" da geleira.


Ao descer do barco, fomos guiados a uma espécie de refúgio, onde eles dão mais algumas instruções, um lanchinho (castanhas) e dividem os grupos entre guias que vão falar em espanhol e guias que vão falar em inglês. Eles também analisam alguns formulários que você preenche no momento da compra do passeio. Lembro que eles perguntaram por mim, porque assinalei que tinha alergia, mas não coloquei a que. Obviamente, eles queriam saber ao que eu era alérgica e se eu tinha antialérgico comigo. Logo, se você tiver algum problema do tipo, vá preparado com seus remedinhos. No refúgio também tem banheiro.


De lá, partiu subir na geleira! Ao contrário do que se possa imaginar, primeiro é feita uma trilha de mais ou menos 1 hora pelo lado da geleira. Não vou mentir: é muita subida e um ar gelado no pulmão. Pesado!


Superada essa trilha morro acima, chegamos a uma espécie de clareira onde os guias pegam os equipamentos necessários de acordo com o seu tamanho. Esse equipamento consiste em um arnês (uma espécie de sinto de segurança) que você já "veste" ali mesmo e nos crampons ou grampones (aparato para cravar os pés no gelo), que você leva na mão até o início da geleira (até aqui ainda estamos em terra, literalmente). Você também ganha uma bala para jogar um pouco de glicose na corrente sanguínea.

Equipamentos em mãos, baixa pra geleira! O primeiro contato com o gelo é... ESCORREGADIO! Não tente se aventurar muito no gelo sem seus crampons! Nesse momento os guias colocam os grampones no pé de cada um dos trilheiros.


Todos equipados, começamos, finalmente, a andar no gelo! Depois de adentrar um pouco a geleira, os guias dão uma aulinha de utilização dos crampons. Sim, tem uma certa técnica para descer, subir e para andar de ladinho, já que a geleira é irregular. Mas não é nada complexo. Eles explicam, você treina um pouquinho e lá vamos nós geleira adentro!


Cada grupo segue para um rumo diferente da geleira, já que ela é enorme! Isso, na minha opinião, é o que há de mais peculiar: não existe um caminho delimitado para o trekking. Se você ler relatos de outros blogs sobre esse passeio, vai ver que ninguém relata exatamente a mesma experiência, porque ninguém faz o mesmo caminho! Os guias vão decidindo ali na hora para onde seguir, dependendo da condição do gelo. Fascinante!


Os grupos vão sempre com dois guias. Um vai mais a frente "testando" o caminho, vendo por onde dá para ir. Se precisar, eles fazem fendas com martelo no gelo, formando uma espécie de escadinha pra gente subir. O outro vai a frente do grupo. Você anda sempre em fila indiana, porque um vai observando onde o outro pisou para fazer o mesmo caminho e não pisar em algum lugar que não esteja firme. Se você sair da fila, leva bronca!


No meio do passeio tem uma parada para almoçar. Como você está em cima de uma geleira, não tem restaurante por perto. Seu almoço deve estar com você, na sua mochila. Leve coisas fáceis de manusear, mas que te deem sustância e energia, como sanduíches, frutas, barrinhas de cereal e coisas do tipo. Guarde seu lixo na mochila para descartar depois. Se você encontrar alguma piscina natural no caminho, pode beber que a água é potável!

Já pensou em almoçar com essa vista?

O clima na geleira é muito instável. Se você ver pela internet fotos ensolaradas perfeitas, saiba que o dono desse conteúdo é um cabra de muita sorte! Nós pegamos muita chuva e vento no Perito. Acho que isso influenciou no ritmo dos nossos guias. Como estava molhado e com vento, eles nunca deixavam a gente ficar parado muito tempo em um mesmo lugar. Então, para tirar foto, era sempre muito corrido - por isso falei que se você quer mesmo é uma foto bonita, melhor fazer o Minitrekking. Ficar com a mão para fora da luva por muito tempo? Lá vem outra bronca! Devo ter levado umas três...

Levei bronca? Sim ou claro?

Eu não tenho um super preparo físico, mas também não me considero sedentária. Faço atividade física regularmente, mas num ritmo leve. Não tive nenhuma dificuldade no Big Ice. Achei punk a trilha na parte de terra, mas deu para subir. Na geleira achei bem de boa. O ritmo apressado dos guias só atrapalhou as minhas fotos e contemplação. Por isso eu diria que esse passeio é realmente voltado para a experiência do trekking.


Terminada a caminhada na geleira, você faz todo o caminho inverso: desce a trilha de terra, volta para o refúgio, volta para o catamarã, volta para o ônibus. No catamarã nos serviram whiskey e bombom de regalo e no ônibus recebemos um chaveiro de brinde.


6. O QUE VESTIR

Se você pegar um tempo bom na geleira, pode ser que não faça tanta diferença o que você está vestindo, mas, se pegar tempo ruim, acredite, a falta de roupa adequada pode ser um baita de um problema!

Veja o tanto de chuva que levei na cara. Fora os guias que queriam que eu tirasse a foto em 2 segundos. Não consegui nem sair da frente da caverna :(

Levando em consideração que eu estaria em cima de um bloco maciço de gelo de sabe-se lá quantas toneladas, segui a orientação universal de me vestir em camadas (temos um post completíssimo aqui no blog sobre roupas para viagem de inverno).


Na parte de cima usei uma blusa térmica, um fleece e um casaco corta-vento e impermeável. Na parte de baixo usei uma legging térmica e uma legging comum de academia. Nos pés usei uma meia de ski e uma bota própria para trekking impermeável. Na cabeça usei uma faixa para proteger as orelhas. Nas mãos usei uma luva impermeável. E, para finalizar o look, usei um cachecol de pano mesmo, bem fino na realidade. Ah! Usei também óculos escuros, por causa da reflexão da luz no gelo! É bom proteger os olhos.

Look trekking na geleira, última moda no Perito Moreno

Comprei tudo na Decathlon, com exceção do lenço, dos óculos e da legging de academia. Se você não pretender usar nunca mais essas roupas, dá para alugar em El Calafate, mas não é barato.


Essas opções foram perfeitas para a geleira. Fiquei super confortável. Não senti frio ou calor em momento algum e, juro, não me molhei! Já na parte de trilha para chegar à geleira, MOR-RI de calor!!! Minha dica é: use as camadas. Se for mais calorento, como eu, arranque o casaco ou suba sem o fleece até a parada para pegar os equipamentos. Lá se empacote de novo.


Ah! Também recomendo que, ao invés de lenço ou cachecol, você utilize uma gola móvel. Vai te proteger melhor do vento. O capuz do casaco também é bom que seja ajustável para que não fique caindo da sua cabeça sempre que ventar. Acho, também, que é bom usar, no mínimo, calçado e casaco impermeável.



7. DICA BÔNUS: FOTOGRAFIA

Eu não lembro mais a explicação técnica (sorry!), mas um fotógrafo que nos acompanhou em outro passeio ensinou que, ao tirar fotos com o celular perto desse gelo todo, você deve manter o flash ligado, mesmo estando de dia. Do contrário, seu rosto vai ficar muito escuro. Com câmeras profissionais, além do flash, você vai ter que mexer nas configurações também para que isso não aconteça. Na GoPro ele disse que não precisava mexer, porque ela mesma iria regular essa questão automaticamente. Na minha (HERO 6 BLACK) isso não aconteceu muito bem. As fotos, em geral, ficaram meio escuras. Você pode consertar com um programa de edição, como eu fiz, mas dá mais trabalho e, às vezes, o resultado pode não ficar tão bom. Então fica essa dica de ouro!

A foto da esquerda é a original: bem escura. A da direita editei para mostrar a diferença (ignorem a sombra da GoPro na minha cara). Conseguem ver?

Ficou alguma dúvida? Quer saber mais sobre a viagem que fiz para a Patagônia no ano passado? Deixe suas considerações nos comentários ou na nossa foto no Instagram.


Até o próximo post :)

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