Buscar

O QUE FAZER EM CAMBARÁ DO SUL: ROTA DOS CÂNIONS

Atualizado: 4 de Ago de 2019

O município de Cambará do Sul faz parte da chamada rota dos cânions. Essa região abrange o extremo sul catarinense (15 municípios) e o norte do Rio Grande do Sul (2 municípios).

É bem interessante, porque, em parte da divisa entre os estados, há cânions, de modo que a porção superior das formações (bordas) pertence ao estado do Rio Grande do Sul e a porção inferior (crateras) pertence à Santa Catarina!


Se contar toda a região, são cerca de 64 cânions!!! Muita coisa, não é?


Para conhecer essas belezas naturais, nós colocamos Cambará do Sul no nosso roteiro pelo sul do Brasil (você pode conferir nossa rota completa no post resumo dessa viagem).


Nós tínhamos exatamente dois dias em Cambará. No primeiro deles, iríamos conhecer o Itaimbézinho e o Índios Coroados. No segundo, iríamos conhecer o Fortaleza.


Infelizmente, por conta das condições climáticas, não conseguimos ver os cânions. Então, esse post vai ser meramente "ilustrativo". Vou deixar aqui, basicamente, a minha pesquisa.


1. CÂNION ITAIMBÉZINHO

Ele está situado no Parque Nacional de Aparados da Serra e é o cânion mais famoso da região.

Há três trilhas que podem ser realizadas: a do Vértice, a do Cotovelo e a do Rio dos Bois. As duas primeiras são realizadas por cima, na borda do cânion, e o acesso é pelo município de Cambará do Sul (RS). A última é feita por baixo, por dentro do cânion, e o acesso é pelo município de Praia Grande (SC).


A indicação da melhor hora para se visitar um cânion é pela manhã, quando há menor incidência de nevoeiro. Isso na teoria, porque, na prática, todas as pessoas com quem cruzamos falavam a mesma coisa: É IMPREVISÍVEL!

Então, o legal é você consultar as condições de visibilidade pelo Twitter dos parques.


Existem também grupos de whatsApp em que os locais se comunicam, informando sobre a visibilidade. Vale a pena perguntar na sua estadia e restaurantes.


O parque funciona de terça a domingo, das 8h00 às 17h00. Até abril de 2019 não estava sendo cobrado nenhum valor para visitação. Mas é bom acompanhar a página virtual antes de ir. Eles costumam fazer várias atualizações importantes, como valor de entrada, utilização de GPS etc.


Ah! O trajeto até o parque é em estrada de chão, mas é tranquilo. Nós fizemos o percurso com chuva e em carro baixo (Ônix) e não tivemos nenhum contratempo.


A) TRILHA DO VÉRTICE

É a menor das trilhas, somando 1,4 km (ida e volta), de nível fácil. O acesso deve ser realizado antes das 17h00. Foi a única trilha que conseguimos fazer. Ela é realmente fácil e curta. Muito agradável.


O início dela é ao lado do centro de visitantes, onde você pode pedir informações, ver uma maquete bem legal dos cânions da região, tomar água ou ir ao banheiro.


Você vai, literalmente, contornando a borda do cânion. Durante a trilha há mirantes pelos quais você consegue olhar para dentro da formação, ver a Cachoeira das Andorinhas e vislumbrar a Cachoeira Véu de Noiva. Ah! As bordas são todas protegidas por cerca, para evitar quedas.

Cercas de proteção nas bordas do Itaimbézinho

Nós fomos guerreiros, viu! Esperamos por um bom tempo embaixo de chuva para ver se a cerração dava trégua, mas o máximo de visão que tivemos foi esse:

Cachoeira das Andorinhas coberta pela névoa

Dica: sítio da Vó Maria e do Vô Marçal! No meio da trilha há plaquinhas indicando um sítio para comer e comprar artesanato. Confesso que só fomos para esconder da chuva um pouco, mas valeu a pena. O sítio é bem simples e você não dá nenhuma credibilidade ao cardápio, que é minúsculo. Basicamente pastéis (sem muita variedade) e café. Mas eu te digo, vá lá comer o pastel! É muito gostoso!!! Comemos o de pinhão, o de queijo e o de chocolate. Todos deliciosos!!! O de pinhão é maravilhoso!


B) TRILHA DO COTOVELO

Com um total de 6,3 km (ida e volta), essa é a maior das trilhas pela borda do Itaimbézinho. Apesar da quilometragem maior, dizem que ela é completamente plana e, consequentemente, de nível fácil. O acesso deve ser realizado antes das 15h00.


Nós pensamos em fazer a trilha, mesmo com a chuva. Só desistimos quando a funcionária do centro de visitantes disse: “se aqui no vértice está assim, lá no cotovelo vai estar bem pior”. Mesmo assim ainda fomos até o início dela:

Arroio Perdizes, início da Trilha do Cotovelo, no Cânion Itaimbézinho

C) TRILHA DO RIO DOS BOIS

Ao contrário das duas primeiras trilhas, que são realizadas pela borda do cânion, ou seja, na parte cima da formação, a trilha do Rio dos Bois, com 16 km de extensão (ida e volta), é feita pela parte de baixo, dentro do cânion!


Pode separar o dia todo para fazer esse passeio, além da extensa duração (entre 5 e 7 horas), dizem ser bem cansativo, pois você atravessa o rio várias vezes e andar na água é exaustivo.


Para fazer este trekking é necessário guia e você deve levar sua própria comida e água (aparentemente a água do rio é potável, o que permite reabastecimento do seu recipiente). As agências costumam oferecer caneleiras também, para proteger de um eventual ataque de cobra.


Li relatos de que são feitas várias paradas durante o percurso para descanso, lanche, banho e explicações do guia. Mesmo assim, essa é uma trilha considerada de alto grau de dificuldade, por conta da existência de pedras no caminho e das diversas travessias realizadas pela água. Traduzindo: precisa de preparo físico!

A recomendação é de se levar apenas o indispensável e ir com roupas leves e confortáveis (e já ir com a roupa de banho por baixo), bem como calçado confortável e próprio para esse tipo de atividade. Mesmo passando pela água, é necessário calçado. Nada de chinelo ou pé descalço!


Você pode ir com seu próprio carro, mas li recomendações de se pagar um pouco mais e ir com o carro da agência ou do guia, porque o caminho é bem pedregoso.


Eu queria muito fazer essa trilha! Mas depois de muita conversa a respeito, resolvi desistir. Primeiro porque ela parece ser bem difícil, além de longa. Segundo porque tínhamos apenas dois dias na região e, diferente das outras duas trilhas do Itaimbézinho, que são acessadas pelo município de Cambará do Sul, a trilha do Rio dos Bois tem seu acesso pelo município de Praia Grande. Para piorar a logística, o caminho mais curto entre as duas cidades é pela Serra do Faxinal que, além de não ser asfaltada, pode ficar complicada de subir e descer em caso de chuva.


No final foi bom ter abortado, porque nos dias em que estávamos por lá, por conta do mal tempo, adivinhem? A TRILHA ESTAVA FECHADA!


2. CÂNION ÍNDIOS COROADOS

Esse cânion não é muito conhecido, mas dizem ser muito bonito por conta das cachoeiras gêmeas que dão nome à formação.


Além disso, basta continuar o caminho que você já estava fazendo para conhecer o Itaimbézinho por mais 5,5 km, pela estrada que leva ao município de Praia Grande.

Fonte: Blog Qual Viagem

Segundo relatos, o acesso à trilha é realizado numa construção abandonada que fica na beira da estrada, bem no início da Serra do Faxinal. De lá, basta caminhar cerca de 600 metros e você já estará na borda do cânion.


OBS.: já que iríamos até o início da Serra do Faxinal, decidimos que também iríamos até o Mirante que leva o mesmo nome para conhecer a vista.


3. CÂNION FORTALEZA

Este cânion fica no Parque Nacional da Serra Geral, que abre todos os dias, das 8h00 às 17h00, e possui entrada gratuita.


Pelo que pesquisei, você apenas preenche um formulário com seus dados e do veículo para entrar, mas parece não haver qualquer estrutura por lá.

Há três trilhas para visitação, sendo que as duas últimas são continuação uma da outra:


A) TRILHA DO MIRANTE

São cerca de 3,5 km (ida e volta), com início na última área do estacionamento. Dizem que em dias de visibilidade perfeita é possível avistar até o mar!


B) TRILHA DA CACHOEIRA DO TIGRE PRETO

São cerca de 2 km (ida e volta), quase toda plana, em que você vê por cima da cachoeira que dá nome à trilha e depois consegue ver a parte frontal.


C) TRILHA DA PEDRA DO SEGREDO


Sequência da trilha anterior, basta continuar por cerca de 500 metros para conseguir ver a pedra que dá nome ao trecho, que é formada por um bloco monolítico de 5 metros de altura, com aproximadamente 30 toneladas.


Apesar de o Itaimbézinho ser o cânion mais famoso da região, todos os locais com quem conversei a respeito disseram que o Fortaleza é muito mais bonito.


E, diferentemente do primeiro, o segundo não tem cerca de proteção. Então, em caso de cerração, é preciso ter muito cuidado, porque às vezes não dá de ver nada e o início dos cânions é abrupto!

Também deve se ter cuidado ao se aproximar das bordas e olhar para baixo, pois pode dar vertigem. A recomendação é de se deitar no chão sempre que for dirigir o olhar para o fundo dos cânions.


4. CÂNION MALACARA

No estilo da trilha do Rio dos Bois, a trilha do cânion Malacara também é feita por dentro do cânion de mesmo nome. A diferença é que ela é mais curta.


A entrada fica a cerca de 5 km de Praia Grande. A estrada é de chão, mas parece fácil de chegar. Cobra-se apenas o estacionamento, no valor de R$5,00, mas é obrigatória a presença de um guia.

Por ser mais curta, vi muitas pessoas recomendando fazer a trilha do Malacara para ver como se sai e decidir se se aventura pela trilha do Rio dos Bois.


Entretanto, para fazer essa trilha (e até a do Rio dos Bois), talvez seja mais interessante se hospedar em Praia Grande do que em Cambará do Sul.


HOSPEDAGEM

A cidade de Cambará do Sul é bem pequena e a maioria da oferta de hospedagem é de pousadas e áreas de camping.


A princípio, nós queríamos ter ficado no Cambará Eco Hotel, mas estava esgotado. Mesmo fora de temporada, nos fins de semana sempre há turistas. Nos dias em que estávamos lá também estava rolando uma prova de bike, o que contribuiu para o aumento da procura de estadia. Pesquisando mais um pouco, decidimos nos hospedar na Pousada Recanto do Lago. Foi o melhor custo-benefício que encontramos naquele momento.

A pousada fica na beira de um lago e foi construída no sistema de chalés. Nós reservamos dois chalés pelo importe de R$935,00 (duas diárias, do dia 6/4/2019 ao dia 8/4/2019). Assim como aconteceu em Gramado (leia o post), metade do valor (R$467,50) foi descontado no cartão de crédito antes da nossa chegada. A outra metade acertamos no check out.


Os chalés possuem um estilo mais rústico. Pelo que pude observar, a maioria das estadias disponíveis seguem o mesmo estilo, então não vá esperando muito luxo. Se este traço para você é indispensável, dê uma olhada na famosa Parador Casa da Montanha.


Mesmo sendo rústica, não achei a pousada desconfortável. A ducha era bem quente! Mas senti falta de aquecimento na torneira da pia do banheiro. No inverno isso não seria nada bom.


Achei também que a higiene deixou um pouco a desejar. Algumas toalhas, no primeiro dia, estavam com pedaços de grama. Elas não estavam com aparência de usadas, então imagino que devam ter sido lavadas junto com outras peças que estavam sujas de grama ou algo parecido.

A roupa de cama também não estava com aparência de usada, mas estava manchada em alguns pontos.


O café da manhã era servido numa espécie da galpão ao lado dos chalés. Sem muita variedade, mas não era ruim.


No geral, eu diria que é uma hospedagem mediana, mas confortável.


Crème brûlée do cheff Marcos Barbier, maçaricado na hora

ADENDO: Em relação a restaurantes, como falei, a cidade é bem pequena. Não tem muitas opções. Nós chegamos a ir ao Restaurante do Lago, do cheff Marcos Barbier.

A apresentação do lugar é legal. O chefe é muito simpático. Ele mesmo faz o atendimento, tira os pedidos, faz a comida e serve, fala sobre os pratos, tira dúvidas e faz recomendações. O carro chefe são as trutas. A comida estava um pouco salgada para o meu gosto, mas, fora isso, estava boa. Acho que vale a pena dar uma passada.


Apesar do nosso azar, se você gosta de fazer trilha e de ver paisagens exuberantes, recomendo fortemente que vá à Cambará do Sul conhecer, pelo menos, o Itaimbézinho e o Fortaleza. Ou até mesmo encaixar esta cidade e sua vizinha catarinense Praia Grande num roteiro pela famosa rota dos cânions.


Pelo que pude ver de outros cânions que visitamos em seguida e pelas imagens disponíveis na web, é surreal de lindo! Fora que é muito gostoso fazer trekking no meio da natureza. Mesmo que você não tenha um super preparo físico, há trilhas leves que podem ser feitas até mesmo por crianças.


Mas o que tirei de lição dessa estadia relâmpago em Cambará do Sul e gostaria de repassar para os que ainda não aprenderam é: passeios envolvendo a natureza são imprevisíveis! A gente não tem controle nenhum sobre a Mãe Terra. Se é importante para você conhecer determinado lugar que tem interferência direta das intempéries, pesquise muito bem a época de ir e, se possível, coloque uns dias a mais no script para poder driblar uma eventual presença de mau tempo.


Para ver os cânions já adianto que a melhor época do ano para evitar a cerração é o inverno.

Segundo me explicaram, a cerração é formada pela umidade que evapora das formações rochosas em comento quando elas esquentam. No inverno, as pedras ficam frias, logo, a incidência de nevoeiro é bem menor.


Se você acha que fazer esforço físico no meio do frio não "rola", a opção é realmente não deixar o roteiro apertado. Se nós tivéssemos mais alguns dias na região, com certeza teríamos conseguido ver os cânions, pois antes de chegarmos e depois que fomos embora a visibilidade estava perfeita! Demos azar de chegar uma frente fria que estragou nosso último dia em Gramado e nossos dias em Cambará.


Mesmo assim, não dá para reclamar muito, porque, de 17 dias (total da nossa viagem), nós pegamos mau tempo em apenas 3 (1 em Gramado e 2 em Cambará do Sul)! É muito pouco! De resto, o clima durante nossa viagem foi perfeito. Então tenho que agradecer a Mãe Natureza.

PS: Se você quiser economizar um pouquinho em estadia na sua próxima viagem, pode usar o meu link do Booking (depois de realizada a reserva, você ganhará R$50,00 para resgate em cartão de crédito ou para utilizar na sua próxima reserva pelo site ou aplicativo).


Até o próximo post :)

52 visualizações
  • Black Instagram Icon

Formigas Viajantes - 2019

Viagem - Turismo - Dicas

  • Black Instagram Icon