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NORONHE-SE: roteiro de 7 dias no paraíso



Em outubro do ano passado, eu, meu esposo, minha irmã e minha sogra realizamos um antigo sonho: conhecer Fernando de Noronha. Nesse post, vamos compartilhar algumas informações dessa viagem e o roteiro que fizemos em uma semana no paraíso. Mais dicas e informações ao final do post.


1. Passagem aérea e hospedagem: compramos um pacote de passagem + hospedagem com uma agência de turismo de Campo Grande/MS. Acabou sendo a melhor opção por 2 motivos: 1) o site da Azul não deixava comprar 4 passagens aéreas pelo mesmo preço; quando pesquisávamos apenas uma ou duas passagens, ele dava um preço bacana e os vôos que queríamos. Porém, ao inserir 4 passagens de uma vez, o preço ia lá pra cima; 2) muitas das pousadas que pesquisamos e gostamos NÃO estavam disponíveis pelos sites de reserva (como Booking e Hotéis.com), mas apareciam para as agências de turismo (chegamos a fazer cotação com mais de uma).


Além disso, ao final, o somatório de passagem aérea + hospedagem ficou dentro do orçamento que havíamos estipulado e ainda pudemos parcelar sem juros no cartão de crédito.


As passagens aéreas foram emitidas pela Azul, mas, no dia da ida, já no aeroporto, descobrimos que o vôo do primeiro trecho (Campo Grande/MS – Campinas/CG) havia sido cancelado. Queriam nos realocar em um vôo que só chegava em Fernando de Noronha NO DIA SEGUINTE! Isso tudo porque, saindo de Campo Grande, é preciso conciliar o horário das várias conexões (em São Paulo e Recife) e, pela Azul, eles não estavam conseguindo. Batemos o pé, pesquisamos pelo celular, insistimos e, depois de um leve estresse, conseguimos ser realocados em um voo da Gol, a outra única companha aérea que voa para Fernando de Noronha (mas com uma frequência menor do que a Azul). Chegamos no destino apenas 1 hora depois do inicialmente planejado. Na volta, deu tudo certo.

Optamos por pagar antecipadamente a taxa de preservação ambiental (TPA) para evitar filas e ganhar tempo na chegada em Fernando de Noronha. Porém, desembarcando no aeroporto, a fila dos que já haviam pago a taxa estava quase o mesmo tamanho dos que pagariam na hora...


Nos hospedamos na Pousada Atobá e foi uma estadia maravilhosa: quarto confortável, café da manhã farto e delicioso (destaque para as tortas e o chocolate quente da Cláudia) e atendimento super cordial e prestativo. Eu e meu esposo tivemos um probleminha na ventilação do banheiro, mas logo chamaram um funcionário para verificar e só não foi resolvido porque não tinha peça disponível e todos os demais quartos da pousada estavam ocupados. A pousada (assim como várias outras de Noronha) disponibiliza um chá da tarde. É simples (biscoitos, bolo e bebidas), mas recarrega as energias quando você chega cansado do vôo ou depois de um dia de passeios. O único "alerta" para essa Pousada é que ela final no final de uma subida - o que pode ser meio cansativo de encarar ao final de um dia de passeios.


Café-de-manhã delicioso da Pousada Atobá. Eles também fazem tapioca na hora!


2. Roteiro: nosso dia-a-dia no arquipélago ficou assim:

Dia 01: Chegada e táxi para a pousada. Deixamos nossas malas na Pousada, tomamos o chá da tarde e descemos a pé para conhecer a Vila dos Remédios. Aproveitamos para já comprar o ingresso para o Parque Nacional Marinho, necessários para visitar as praias do Sancho (e os mirantes do Sancho, Baía dos Porcos e Golfinhos), Leão, Sueste e Atalaia (inclusive fazer a trilha). Ficam de fora praias como Cacimba do Padre, Boldró e Conceição. Para algumas outras trilhas e passeios de barco também é necessário ter o ingresso, já que o barco navega por dentro da área do Parque. Jantamos no Cacimba Bistrô, um restaurante com ambiente super gostoso e comida deliciosa. Antes de voltar para Pousada, compramos água mineral em um Mercado da Vila dos Remédios.


Dia 02: Logo cedo, pegamos um táxi e fomos para o PIC Sancho-Golfinho. Lá, fizemos a trilha até o Mirante dos Dois Irmãos para admirar o cartão-postal de Fernando de Noronha. Depois, voltamos e descemos para a Praia do Sancho. Não é fácil: você precisa enfrentar escada (tipo de “incêndio”) e passar por trechos apertados dentro do paredão. Porém, a praia é linda e compensa o desafio! Subimos de volta, seguimos pela trilha até o Mirante dos Golfinhos e terminamos na lanchonete do PIC. De lá, pegamos outro táxi até a Praia do Porto para ir ao Museu do Tubarão e ao Buraco da Raquel (que fica no lado oposto à Praia do Porto). Você também pode aproveitar para visitar a Igrejinha, lindamente localizada no alto do morro. Terminamos o dia assistindo ao pôr-do-sol na Praia do Porto. Pegamos o ônibus de volta para Vila dos Remédios, agendamos nosso passeio de barco na Agência Primeiríssima e jantamos no famoso Xica da Silva (estava com fila de espera, mas a comida é bem gostosa).

Foto para o Instagram, perrengue e a praia mais bonita do mundo (Praia do Sancho), tudo em um pacote só!


Dia 03: Logo cedo, o transfer da agência de passeio nos buscou na pousada. Depois de uma rápida parada para alugar snorkel e colete, seguimos para a Praia do Porto, de onde sai o barco. É um passeio maravilhoso, pois você tem a vista de Noronha a partir do mar e a chance de ver golfinhos de perto. Segundo a guia, nesse horário, muitos deles estão voltando (da Baía dos Golfinhos, onde ficam pela manhã beeeem cedo) para o mar aberto. No momento em que eles se aproximam, o barco desliga o motor e é preciso fazer silêncio para que eles nadem tranquilamente ao redor da embarcação. É lindo e emocionante! Depois, o barco segue até a outra ponta do arquipélago (ponta da Sapata) e, na volta, faz uma parada para snorkel na Praia do Sancho. Aliás, quem não quiser encarar a descida feita por terra, pode nadar até a Praia. Porém, o barco para em alto mar: você teria que ir nadando atééé a praia e o tempo de parada é relativamente curto (uns 30 a 40 minutos). Dá tranquilo para tomar banho de mar, fazer snorkel e tirar fotos da vida marinha, mas pode ser meio corrido para nadar até a praia e voltar.

Cliques durante o passeio de barco


A guia do passeio nos avisou que naquele dia haveria captura intencional de tartarugas, uma atividade bem interessante desenvolvida pelo Projeto Tamar e que, naquele dia, ocorreria na Praia do Boldró. Nesse trabalho, o pessoal do Tamar captura um animal do mar, traz até a praia e faz todo o trabalho de pesagem, medição e colocação (ou troca) de anilhas. É uma ótima oportunidade para ver uma tartaruga de perto, aprender um pouco sobre esse animal e conhecer o projeto desenvolvido pelo Tamar. É bem bacana, inclusive para as crianças.


Captura intencional de tartarugas na Praia do Boldró


Almoçamos e passamos o restante do dia lá na praia mesmo. No final da tarde, fomos andando até o Forte do Boldró para ver o pôr-do-sol. Chegamos cedo, arrumamos nossas toalhas e ficamos lá, descansando e esperando a natureza dar seu show.

Praia do Boldró e pôr-do-sol no Mirante do Boldró.


Na volta, passamos na lojinha do projeto Tamar (que fica já na rodovia) e tomamos um táxi de volta para a Pousada. Nosso jantar foi mate gelado e ciabatta num bistrôzinho bem charmoso, próximo à Pousada.


Dia 04: Aproveitamos a manhã para descansar e, no início da tarde, fizemos o mergulho de batismo na Praia do Porto, com o pessoal da Mar de Noronha (Bodão e sua equipe). Nos dias anteriores, a visibilidade estava prejudicada por conta de um swell, fenômeno que turva o mar e pode deixá-lo mais agitado. Infelizmente, esse fenômeno é meio imprevisível e, sim, interfere nos passeios que envolvem snorkel e mergulho. Porém, o pessoal das agências é honesto e nem faz os mergulhos quando as condições do mar estão muito ruins. Além do mergulho, contratamos os serviços de foto da Roberta Viegas. Não é barato, mas compensa demais! As fotos são feitas por uma profissional que, além de ter o equipamento adequado, já sabe os lugares e as poses mais bacanas para que você tenha um belo registro desse momento. Fora que é uma preocupação a menos – principalmente se for seu primeiro mergulho, como no nosso caso. Nosso jantar, nesse dia, foi no Restaurante Varanda.


Registros do nosso mergulho feitos pela Roberta Viegas.


Dia 05: partimos cedo para a praia da Cacimba do Padre, pois queríamos aproveitar a maré baixa para ir até a Baía dos Porcos. Além do cenário lindo (já que é na divisa dessas duas praias que fica o Morro Dois Irmãos), a Baía dos Porcos é uma praia extremamente gostosa. Porém, fique de olho na maré, seja por conta das piscinas naturais que se formam na praia, seja por conta do acesso: é preciso fazer uma trilha a partir da Cacimba do Padre para poder chegar até a Baía dos Porcos. Chegando cedo, você ainda tem a chance de pegar a praia praticamente deserta! Depois de curtir a Baía, alugamos cadeiras e guarda-sol e passamos mais um bom tempo na praia da Cacimba do Padre, caminhando e curtindo o mar!


O "caminho" para a Baia dos Porcos e a recompensa de uma praia linda ao final!


Na parte da tarde, descemos a Vila dos Remédios até a Praia do Cachorro e fizemos uma trilhazinha (bem leve) que termina na Praia do Meio. Depois, subimos o Forte de Nossa Senhora dos Remédios para curtir mais um pôr-do-sol. Terminamos o dia com um hambúrguer recompensador na Burgueria Gourmet (aliás, uma jantinha farta e em conta para os padrões da ilha).



Dia 05: novamente aproveitando a tábua das marés, fomos até a Praia do Cachorro, ponto de partida para quem quer conhecer o buraco do Galego (esse da foto ao lado) e garantir cliques instagramáticos! Depois, como a maré ainda estava baixa, fomos andando pela praia até a Praia do Meio, que é menos conhecida, mas muito gostosa! Lá pelo meio do dia, “pulamos” para a praia vizinha – a Praia da Conceição. Almoçamos uns petiscos no Bar do Duda Rei e ficamos por lá até o final do dia, indo embora depois de aproveitar mais um pôr-do-sol! A janta ficou por conta do Flamboyant Rock.





Dia 06: dia de fazer a trilha longa do Atalaia. Nossa guia foi a Sabina. Ela é excelente: simpática, com muito conhecimento sobre a ilha, nos conduziu de forma segura e com várias informações e dicas! A duração da trilha varia, mas nós começamos umas 08h30 e terminamos por volta das 14h. A trilha longa do Atalaia passa por 3 piscinas naturais: a primeira também é visitada por quem faz a trilha curta; já para conhecer a segunda e a terceira, é preciso fazer a trilha longa. Nós NÃO conseguimos entrar na terceira piscina natural, pois a maré já tinha subido bastante e o mar estava bastante agitado. Vale lembrar que a praia do Atalaia fica no mar de fora, ou seja, na parte do arquipélago que é voltada para o mar aberto (para entender, veja esse mapa). Alguns visitantes se arriscaram, mas eu confesso que fiquei com um pouco de receio, pois o mar já apresentava um pouco de correnteza.


Nas piscinas naturais da Trilha do Atalaia, a gente se sente dentro de um aquário.


A Trilha Longa do Atalaia é puxada: muitas pedras, caminhada e sol, mas garante visuais deslumbrantes!


O passeio termina próximo à praia do Porto. Por isso, almoçamos um PF na barraca da tia Regina (opção bastante econômica) e, aproveitando que já tínhamos alugado equipamento, fizemos snorkel na Praia do Porto. Foi quando vimos uma tartaruga bem de pertinho! A gente nunca espera que uma praia que funciona de porto tenha vida marinha, não é mesmo? Pois em Noronha isso acontece! E nesse dia, a praia estava bem piscina, super gostosa!!! Pra encerrar o dia, fomos assistir à palestra noturna no Projeto Tamar e jantamos no Forno Noronha, que oferece transfer grátis (no caso, em um pau-de-arara, mas tá valendo! Rs).


Dia 07: para encerrar nosso “roteiro de praias”, pegamos o ônibus e fomos para a Praia do Sueste, pois havíamos lido que era o melhor lugar para ver tartarugas. Fizemos primeiro uma trilha até a Praia do Leão, mas o mar estava muito agitado e nem me arrisquei a descer, ficando só na contemplação. De volta na praia do Sueste, alugamos os equipamentos e contratamos um guia – que te puxa, com ajuda de uma bóia, até a parte onde fica a fauna aquática. Contudo, o equipamento do lugar (ao contrário dos demais que havíamos alugado até então) era péssimo! Os óculos ficavam totalmente embaçados e eu não enxerguei quase nada, mesmo com a ajuda do guia. De fato, haviam várias tartarugas e até um filhote de tubarão, mas quase não consegui aproveitar por conta da falta de visão! Terminado o passeio, ficamos mais um pouco na praia (que estava bem calma e gostosa), compramos uns souvenirs na lojinha do PIC e pegamos outro ônibus de volta para a Vila dos Remédios. Dessa vez, ficamos no Bar do Meio, comemos isca de peixe e cartola e esperamos o pôr-do-sol. Aliás, o lugar é bem bacana, tem muitas opções de comida, bebidas e drinks e uns lounges (que você pode usar mediante consumação mínima). Jantamos novamente no Flamboyant Park, já que ele ficava relativamente perto da nossa Pousada.



Dia 08: dia de voltar pra casa, com as baterias recarregadas pela energia incrível de Noronha! A pousada nos ofereceu um transfer cortesia até o aeroporto e, dessa vez, não tivemos qualquer imprevisto com o vôo!


DICAS E INFORMAÇÕES FINAIS:

- Primeira coisa que sempre me perguntam e a resposta é: SIM, Noronha é BEM caro! Tentamos fazer uma viagem confortável, porém econômica, mas, ainda assim, com o valor que gastamos, é possível, por exemplo, passar duas semanas viajando por um país da América do Sul. Dá pra gastar menos? Com certeza: pegando promoção de aéreo na baixa temporada (que é, também, a época de chuvas), ficando em hostel ou pousadas mais baratas (geralmente, as domiciliares), e comendo comida mais simples. Dá pra ter mais conforto? Mas claro: há muitas opções de hospedagem e alimentação excelentes! Dá pra ostentar? Opa! No melhor estilo rústico-chique, ficando hospedado nas pousadas "nível Maria Bonita", indo quando todos os famosos estão na Ilha, almoçando e jantando todo dia em restaurante top etc. Nessas condições, sua viagem chega facilmente ao orçamento de duas semanas na Europa! Noronha é mais caro que outros destinos de praia brasileiros (pelo menos, nos que eu já estive, pela mesma duração de viagem), mas é PLENAMENTE POSSÍVEL! E você pode, claro, ficar menos tempo por lá. Considere apenas que, dependendo da sua cidade de partida, você vai gastar uma grana e um tempão só para chegar lá! Será que não vale a pena investir um pouco mais pra ter mais tempo em Noronha?


- "Por que é tão caro?" Porque é um arquipélago e TUDO tem que chegar ou de barco ou de avião! Da comida aos carros, dos turistas aos moradores! E tudo tem que ter um tratamento ambientalmente adequado: lixo, esgoto, visitação, passeios. Para você ter uma ideia, nem fonte de água doce eles tem: é tudo na base da dessalinização (processo caro para tornar a água do MAR própria para consumo) e coleta de água da chuva. Por isso, economia de água é essencial! Portanto, seja um turista consciente: faça banhos rápidos, colete e dê destinação correta a todo o lixo que produzir! Noronha sofre muito com os impactos ao meio ambiente – tanto que possui atitudes pioneiras como abolir canudos de plástico e usar carros elétricos.


- "Como vocês economizaram?" Bem, como estávamos em 4, o táxi acabava saindo em conta. Além disso, dá pra ver que a gente almoçou bem pouco, né? Isso porque o café da manhã da pousada era muito bom e a gente ainda levou biscoitinhos e outras coisinhas para comer durante o dia. Assim, na maioria das vezes, beliscávamos durante o dia e comíamos bem (refeição completa) só de noite.


- "E vale a pena mesmo assim?" CA-DA CEN-TA-VO! Noronha é tudo o que você vê nas fotos (as desse post estão SEM edição alguma) + um clima super relax e seguro.


- Como vocês podem ver do relato, Noronha é um destino de natureza e a natureza é imprevisível. Enfrentamos tempo nublado, swell, condições desfavoráveis na piscina da trilha do Atalaia e nuvem bem na hora do pôr-do-sol. Por isso (eu diria que principalmente por conta do swell), você pode ser obrigado a mudar seus planos de última hora. Nada disso prejudicou nossa viagem e, ao final, eu senti que ela foi perfeita e conseguimos fazer tudo o que queríamos! Porém, tenha isso em mente para não sofrer se as coisas não saírem como você sonhava!


- A nosso ver, a tabua das marés é sim importante: para nós, influenciou na ida ao Buraco do Galego, na Baía dosPorcos e na trilha do Atalaia. No caso da trilha, eles sempre mudam o horário de início para adequar à maré mais baixa do dia. Entretanto, se você usar a tábua a seu favor, conseguirá conciliar a maré baixa com bons momentos do dia para passear (ex.: uma maré baixa no meio da manhã);


- Tentamos aproveitar ao máximo o pôr-do-sol de cada dia, seja porque é lindo, seja para nos garantir (vai que amanhã tá chovendo ou nublado?). Por isso, fomos em vários mirantes e lugares e cada um nos proporcionou uma experiência diferente!


É isso pessoal! Ficou com alguma dúvida? Quer compartilhar seu relato? Deixe nos comentários! Até a próxima!

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