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Visitando as ruínas de San Ignácio Mini, na Argentina

Atualizado: Mar 21



Seguindo as sugestões da minha amiga do trabalho Luiza - que aconselhou visitar as ruínas de uma missão jesuíta se eu tivesse oportunidade - e do Viaje na Viagem - que recomendou aproveitar a visita à Foz do Iguaçu para conhecer as ruínas de missões jesuítas na Argentina e no Paraguai, arrastei meu pai e minha irma para a "Missão: Missões". Foi trabalhoso, mas valeu muuuuuito a pena!!!


Nesse post, vou compartilhar como foi nossa experiência em San Ignácio Mini (lado argentino).


1. Dirigindo na Argentina: San Ignácio é uma cidadezinha da província de Misiones, com pouco mais de 6 mil habitantes, que fica a 255 km de Foz do Iguaçu. Para chegar até lá, basta seguir pela Ruta Nacional 12, uma estrada bem sinalizada, de pista simples, mas que possui muitos trechos de terceira faixa (“tercera trocha”, em espanhol). Também não é difícil achar postos de combustível (a maioria Shell ou YPF - nos quais inclusive, abastecemos o carro com Nafta - correspondente da nossa gasolina comum). Por conta dos limites de velocidade (em geral, 80 km/h, mas com trechos de 60km/h e fiscalização por radar - geralmente do tipo móvel), a viagem acaba durando cerca de 4 horas.


De Foz do Iguaçu até San Ignácio, pagamos um pedágio, no valor de 70 pesos. De San Ignácio até Posadas, há um segundo pedágio, no mesmo valor.

Ruta Nacional 12


Depois de muito pesquisar e refletir, decidimos fazer o trajeto de carro próprio (da minha irmã). Porém, caso você opte por alugar carro, saiba que encontramos UMA locadora de Foz do Iguaçu que permite transitar com sua frota pela Argentina: a Ecodrive (WhattsApp: 45 9931-4834), que fica no Shopping Catuaí Palladium.


Segundo o que pesquisei na Internet, para rodar por estradas argentinas, o documento do veículo precisa estar registrado em nome de um dos ocupantes (a locadora inclusive cobra uma pequena taxa para passar uma autorização em cartório que permite a condução por terceiros em território argentino).


Além disso, é preciso estar com a Carta Verde, um seguro que cobre danos a terceiros e é obrigatório para a circulação de veículos estrangeiros pelo Mercosul. No nosso caso, minha irmã conseguiu o documento gratuitamente junto à seguradora do veículo (Porto Seguro). Eu cheguei de ver ser o documento também era fornecido pela minha seguradora (Azul Seguros), caso fossemos com meu carro, mas a resposta foi negativa. Caso sua seguradora não ofereça gratuitamente, fique tranquilo: você acha inúmeros lugares oferecendo o serviço em Foz do Iguaçu (de casa de câmbio a posto de combustível e agência de turismo).

Curiosidade: na apólice do meu seguro constava que a cobertura abrangia o Mercosul; contudo, no chat com a Azul Seguros, fiquei sabendo que eles NÃO fornecem qualquer tipo de assistência fora do país. Ou seja: caso houvesse algum sinistro, eu teria que contratar, por conta própria, um guincho particular, levar o carro até a fronteira brasileira para só então o seguro assumir a assistência. Pois é...

Itens obrigatórios: senta que lá vem polêmica! Li tudo quanto é lista de itens obrigatórios na Internet: que isso ou aquilo era exigido, que tal coisa era lenda... O post mais esclarecedor e recente que encontrei foi esse aqui: https://www.mochileiros.com/topic/86202-leis-de-tr%C3%A2nsito-am%C3%A9rica-do-sul-argentina-chile-uruguai-bol%C3%ADvia-peru-col%C3%B4mbia/


Eu até achei a lei de trânsito argentina, com planos de imprimir e levar comigo para o caso de alguma abordagem policial abusiva. Mas como não achei (numa leitura rápida e superficial) um artigo claro, objetivo e expresso do tipo “São itens obrigatórios em todo veículo de passeio: X, Y e Z”, desisti do plano.


Um pouco assustadas com as possíveis abordagens policiais, eu e minha irmã resolvemos usar a seguinte estratégia:

- levar os itens obrigatórios: extintor de incêndio (o carro dela já tinha) e dois triângulos de sinalização (o segundo peguei do meu carro, já que ninguém rodaria com ele durante as férias);

- levar, por precaução, os itens que NÃO são obrigatórios, mas, segundo relatos, costumam ser usados como desculpa para policiais tentarem extorquir os motoristas: kit de primeiros socorros (que eu mesma montei, usando até alguns itens que já tinha em casa), lençol branco (“mortalha” – peguei um velhinho que tinha em casa também), caixa de fósforo e cambão (vide abaixo)*;

– andar com pouco dinheiro visível na carteira (tanto pesos quanto reais) para que, caso fossemos extorquidos, o prejuízo fosse menor.

* De todos os itens “extras” (NÃO obrigatórios), o mais trabalhoso estava sendo, claro, o “cambão”. Perguntei para uns parentes e conhecidos, mas ninguém tinha; o mais barato que encontrei era vendido pelo Mercado Livre, mas não chegava a tempo para nossa viagem. Então, na onda de relatos da Internet que diziam ser possível comprar o produto logo depois da fronteira, pedi informação no Viaje na Viagem e deixaram minha pergunta no Perguntódromo. Como a resposta foi de que sim, encontraria o item facilmente em postos argentinos, resolvemos arriscar, programamos nossos dois dias pela Argentina e partimos pra Foz sem comprar o cambão.


Na véspera de ir pra San Ignácio, perguntamos na casa de câmbio se eles conheciam algum lugar em Foz que vendesse o item e o funcionário indicou o Dias Auto Center (Avenidas das Cataratas, 867, Vila Iolanda = WhattsApp 45 99965-8214 e 45 99921-4141). De fato, a loja tem o “kit completo”: cambão + 2 triângulos + kit de primeiro socorros + mortalha. O cambão custava R$85,00. Perguntei, então, se eles não alugavam e o pessoal do Dias fez uma proposta interessante: a gente pagaria o valor total (R$85,00) e, caso devolvesse o cambão inteirinho no retorno da viagem, eles devolviam R$55,00 – os outros R$30,00 ficavam pelo aluguel. Claro que topamos! Pagamos o valor integral e eles deram uma notinha descriminando valor, objeto e o reembolso em caso de devolução. Segunda-feira, antes de sair de Foz pra voltar para casa, voltamos no Dias Auto Center, devolvemos o cambão sem uso e recebemos os R$55,00 de volta - ou seja, uma baita economia!


Como eu disse acima, o item não é obrigatório, mas quisemos levar para minimizar as chances de uma dor-de-cabeça. Se essa for sua opção e você não tiver um cambão, fica aqui uma dica quebra-galho e econômica!

"Tá, mas teve abordagem policial? Como estava a fiscalização na Ruta 12?" Na ida, passamos por 2 postos de fiscalização da Gendarmeria e 2 da Policía (fora outros que estavam sem policiais). Fomos parados em 2: no primeiro, da Gendarmeria, o oficial pediu o documento do veículo e inspecionou o porta-malas, mas foi rápido e muito educado. No segundo, da polícia, o oficial pediu apenas o documento do veículo, perguntou para onde íamos, conferiu as placas do carro, e nos liberou, também de forma educada e rápida. Na volta, passamos por mais duas barreiras na estrada, mas em nenhuma delas fomos parados.


2. Hospedagem: pesquisando no Trip Advisor, minha irmã achou a Hostería & Café Montés, que estava com vagas esgotadas no Booking. Porém, entrei em contato pelo Direct do Instagram e pelo Facebook Messenger e consegui fazer a reserva diretamente com eles. Pagamos R$152,00 (em espécie) pela diária para 3 pessoas (de 11/10 a 12/10), com café-da-manhã. A hospedagem foi muito boa: o estabelecimento é administrado por um casal super simpático e prestativo; o quarto é confortável e limpo e a ducha era excelente! O local também conta com um restaurante aconchegante – e que nos quebrou o galho! O café-de-manhã tinha medialunas doces, café, leite, suco, pão, manteiga, geleias e ovos mexidos - simples, mas bem satisfatório. Gostamos do ambiente, do atendimento e da localização (a 10 minutos a pé das ruínas). Super recomendado!

A simpática Hostería & Café Montés


3. As ruínas: chegamos em San Ignácio por volta das 13h. Depois de fazer o check-in e almoçar (na própria Hostería), fomos para as ruínas.


A entrada custou 250 pesos argentinos (valor para residentes no Mercosul, sem meia entrada para idoso). Esse valor dá direito a visitar as 4 ruínas da região (San Ignácio, Santa Ana, Loreto e Santa Maria Mayor), por uma vez, dentro do período de 15 dias.


Para assistir ao espetáculo noturno de som e luzes, você precisa adquirir outro ingresso que também custa 250 pesos. Porém, pelo que o Francisco (da Hostería) me explicou, se você comprar o ingresso para o show noturno, pode, no dia seguinte, usar esse mesmo ingresso para visitar as ruínas. Se tiver disponibilidade para essa programação (o que, infelizmente, não era nosso caso), acho que vale a pena tentar (e, assim, economizar uma graninha).

Como você deve ter visto nos noticiários, a inflação na Argentina é bem alta e o peso vem sofrendo constantes desvalorizações. Os valores (e cotações) colocados nesse post e no post anterior, sobre Foz do Iguaçu, referem-se a outubro/2019 (data da nossa viagem), mas podem ficar desatualizados rapidamente. Optei por colocar os valores no post porque penei, durante o planejamento da viagem, com a escassez desse tipo de informação.

As ruínas contam com um pequeno museu (que traz algumas peças guaranis e explica a história das missões jesuítas) e tour guiado, em inglês e espanhol (avise à funcionária que controla a entrada sobre sua preferência). Ambos estão inclusos no preço no ingresso. Nós nos juntamos a um grupo que acabava de sair, porém, ao tour acabou não sendo tão proveitoso, já que o guia falava bem rápido e, como havia muita gente, nem sempre conseguíamos ficar perto para ouvir as explicações.

Grupo do tour guiado


Por isso, minha dica é: visite o museu antes (para entender o contexto e o funcionamento geral da missões jesuítas) e dê uma pesquisada prévia sobre o assunto. Assim, você não fica perdido e a experiência se torna muito mais rica.

Museu de San Ignácio Mini


Uma vantagem de NÃO se juntar ao grupo da visita guiada é que você pode explorar as ruínas no seu tempo e, aproveitando as brechas entre um tour e outro, pegar os lugares vazios para curtir e tirar fotos. Eu acompanhei uma parte das explicações do guia e depois voltei nos lugares que queria fotografar, já que não há limite de tempo para a visita.

Detalhes das ruínas de San Ignácio Mini


A visita às ruínas foi sensacional: a gente faz uma imersão no passado e vê com os próprios olhos os resquícios daquilo que antes era só texto em livro de História do colégio: a vinda da Companhia de Jesus para a América do Sul; o contato dos padres jesuítas com os indígenas; o processo de catequização; a perseguição e a política de extermínio dos guaranis; os ataques dos bandeirantes...


É difícil não se deslumbrar com a imponência das ruínas ou se surpreender ao pensar que esses enormes vilarejos foram erguidos em meio à selva.

Encantada com o lugar!


Depois de umas 2 horas no local, voltamos para o hotel para nos refrescar antes de retornar às ruínas no início da noite, para a exibição noturna.


As entradas para o espetáculo começam a ser vendidas às 18h30 e o show começa às 19h30, com duração de 45 minutos. Chegamos no local às 19h, mas as entradas tinham acabado! Palavras do funcionário da bilheteria: “você chegou tarde. Já acabou o ingresso para o primeiro show, das 19h30, e para o segundo show, das 20h30. Só tem vaga para o show das 21h30. Porém, ele é mais vazio e fica melhor para acomodar vocês”. Segundo ele explicou, o período de julho a novembro é mais cheio, pois vários estudantes vão ao local em excursão – por isso, as vagas esgotam rápido.


Compramos o ingresso para as 21h30, demos uma volta pelas redondezas (tem uma pracinha, uma lojinha junto ao restaurante Carpa Azul e uma outra praça com diversas casinhas vendendo artesanato e souvenir), e voltamos para o hotel para esperar nosso horário.


Por volta das 21h, retornamos às ruínas e pudemos curtir o show, que, aliás, superou nossas expectativas: trata-se de um conjunto de luzes, sons e projeções que narram a história das reduções jesuítas (início, modo de vida no local e declínio). Você vai caminhando pelo sítio (conforme orientações do guia) e as projeções vão ocorrendo em vários lugares e nas próprias ruínas. Foi superbacana!

Projeções nas ruínas da antiga Igreja de San Ignácio Mini.


O show acabou por volta das 22h e voltamos para a Hostería, onde pedimos uma pizza para jantar e encerrar nosso dia.


O que você achou do post? Ficou com alguma dúvida? Também foi para San Ignácio e quer deixar seu relato? Escreva nos comentários.


Até a próxima!

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